Augusto N. Sampaio Angelim
Porque todo homem deve ter um lugar aonde ir (Dostoiévski)
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SUA EXCELÊNCIA, TIRIRICA!



 
            O cidadão Francisco Everardo Oliveira Silva, filiado ao PR, segundo indicam as pesquisas eleitorais, vai se eleger Deputado Federal pelo Estado de São Paulo com cerca de um milhão de votos e levará a reboque, pelos artifícios do quociente eleitoral outros candidatos mais conhecidos no ramo da política, tais como Valdemar Costa Neto, que é um dos personagens citados no escândalo do mensalão. Francisco Everardo é conhecido do grande público como o Palhaço Tiririca, que se apresenta como coadjuvante de vários programas de humor da televisão brasileira há anos.
           
            Tiririca entra na política pelo viés do escracho. Vote em Tiririca, pior não fica e outras preciosidades são ditas com graça pelo candidato. Sob o ponto de vista do marketing político sua candidatura é um sucesso e, se fosse candidato à Presidência da República é bem provável que superasse o velho e radical Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, nas intenções de votos divulgadas pelos institutos de pesquisa. A candidatura de Tiririca é vista como engraçada por milhares de eleitores e ridicularizada por milhões. Na mídia escrita, chovem críticas contra Tiririca, considerando sua candidatura como um símbolo de degradação das instituições brasileiras. Pelas declarações prestadas pelo candidato à imprensa é perceptível que sua candidatura foi uma invenção para beneficiar outros membros menos simpáticos do PR, tanto é assim que ele disse que é o partido quem patrocina toda sua campanha, cabendo ao palhaço o riso e o escracho. Não sei ao certo o perfil do eleitorado de Tiririca, mas imagino que se trata da parcela da população mais desinformada e, ao mesmo tempo, revoltada com o baixo nível moral dos políticos. Cansado de quem trambica? Vote em Tiririca.
           
            Desacostumado aos palcos da política, Tiririca vê sua carreira pessoal alavancada porém começam a surgir as primeiras pedras em seu divertido caminho. Um promotor eleitoral de São Paulo pediu a abertura de uma investigação contra Francisco Everardo porque ele declarou que informou à justiça eleitoral que não possuía bens, mas, à imprensa teria dito que fez isso porque colocou todos os seus bens em nome de terceiros, para evitar a partilha numa ação de separação judicial.
           
            Riscos à parte, a campanha segue firme, embora enfrente alguns percalços, tais como a rejeição clara do Senador Aloysio Mercadante, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, cujo partido é aliado do PR. Mercadante, do alto de seus bigodes e decisões irrevogáveis, disse que a população deveria votar apenas nos candidatos sérios.
 
            Meninos e meninas, não é de hoje que o Brasil vota em candidatos declaradamente do tipo Tiririca. O Macaco Tião, foi lançado como candidato pela turma do Casseta e Planeta, à prefeitura do Rio de Janeiro, em 1988, e chegou aos quatrocentos mil votos, ficando em terceiro lugar na preferência do eleitorado. Com a introdução do voto eletrônico, candidatura fictícias dessa natureza não tiveram mais oportunidades, porém, de dois em dois anos, se registram candidatos fictícios. Uns, porque buscam alguns busquem apenas uma licença do serviço público (desincompatibilização). Outros, porque prometem tanto que seu programa é uma mera ficção. Mas, como lhes avisei garotos, a comédia não faz parte apenas da cultura eleitoral brasileira. Na Alemanha, por exemplo, nas eleições gerais do ano passado, um comediante se travestiu de um candidato fictício e se apresentava em rede nacional de televisão arrotando e propondo a realização de cirurgias plásticas gratuitas, com seu ar de canastrão e alcançou imensa popularidade.
 
            Tiririca, se eleito, não deverá ser pior que muitos dos nossos atuais congressistas e é pouco provável que se envolva em falcatruas orçamentárias e outras maldades do gênero e, portanto, assim, sua eleição não atenta contra os princípios republicanos. O problema é que Tiririca, puxará um cordão com gente sobre quem paira grandes suspeitas de envolvimentos em negócios pouco ortodoxos, entre eles o deputado Valdemar Costa Neto.
 
            Tiririca faz qualquer um rir, não é verdade? Mas o que dizer, por exemplo, do Deputado Federal Ciro Gomes, do Ceará, com seu ar circunspecto e sério? A revista Veja (edição 2183, ano 43, nº 38) acusa o deputado cearense e ex-ministro da Integração, de participação num grave esquema de corrupção, juntamente com seu irmão, o governador Cid Gomes.
 
            Um consolo, entretanto, com Tiririca pode ser que a Câmara dos Deputados fique mais engraçada, pois outro humorista, Juca Chaves, também concorre a uma vaga de deputado federal pelo PR, em São Paulo.
 
            A eleição de Tiririca será um sinal de que o país precisa de uma reforma política senão a tendência é piorar, ao contrário do que diz o palhaço candidato.
 
 
 
Augusto Sampaio Angelim
Enviado por Augusto Sampaio Angelim em 30/09/2010
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