Augusto N. Sampaio Angelim
Porque todo homem deve ter um lugar aonde ir (Dostoiévski)
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DESENCONTROS

Não era a primeira vez que ela repousava em seu peito. Desta feita, porém, chorava baixinho, mas ele sentia as lágrimas. Na escuridão do quarto, a luz do pequeno abajur destacava sua pele branca. Tinham saído a tardinha e ela, depois, do terceiro copo de uísque se mostrara arredia. Cauteloso, ele procurara evitar o menor conflito, pois sabia que ela estava se sentindo amargurada. Estavam vivendo juntos há apenas alguns meses e a felicidade, como acontece com todos os amantes, que antes parecia tão ao alcance das mãos, agora teimava em escapar-lhes por entre os dedos. Ela o conhecia desde adolescente, quando ele, então, já era homem. Sendo aparentada dele, ficara fascinada por suas aventuras e façanhas, muito mais que pelo homem com quem passara a conviver. Fora ela, na sua ousadia de mulher jovem, a iniciativa, mas ele foi quem soube explorar suas ilusões. Na verdade, ela lhe fascinava pelo carinho e beleza. Porém, como ele lera em algum lugar, parece que o amor teima em mostrar que é impossível a plenitude do encantamento humano. Nos últimos dias, seus desencontros se acentuaram e os humores se alteravam de forma quase desequilibrada. Quando ela finalmente adormeceu, ele foi até a varanda de seu apartamento e contemplou a enorme avenida, sem movimento àquela hora. Limpou as lágrimas de seus olhos e acendeu um cigarro.
 
Augusto Sampaio Angelim
Enviado por Augusto Sampaio Angelim em 19/02/2012
Alterado em 19/02/2012
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