Augusto N. Sampaio Angelim
Porque todo homem deve ter um lugar aonde ir (Dostoiévski)
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ERA UMA VEZ NO OESTE
 
 
 
 
           
            Três homens vestindo enormes casacos cor de terra-vermelha e armados, em atitudes e posses atemorizadoras, embora não pronunciem quase nenhuma palavra, chegam numa calorenta e deserta estação de trem no meio do deserto americano do velho oeste e tracafiam a única pessoa que se encontra ali além deles, que é um velho e frágil homem de olhos azuis. A cena se desenvolve apenas com os sons de suas botas no assoalho de madeira, o ranger das portas e janelas e, principalmente, o ruído incomodo de um moinho de madeira que gira preguiçosamente. O mais amedrontador dos três homens tem a barba por fazer e tudo indica que não toma banho a dias, pois ao se sentar e tentar se proteger do sol, um mosca pousa no seu queixo e ronda, nojentamente, sua boca. Quem vê a cena se horroriza ante a hipótese do homem engolir o inseto e diante do zunido irritante da mosca. Noutro canto da estação, um negro procura uma posição estratégica para esperar o trem ou quem venha no mesmo. Uma gota abundante de água pinga na sua reluzente cabeça careca, ao que ele põe o chapéu para se proteger e, logo depois, devido ao calor, começa a sorver as gotas que caem sobre o chapéu. O terceiro homem não larga o rifle. Finalmente o trem chega e parte, deixando os homens desapontados depois daquela tediosa espera. Mas, quando eles dão às costas, ouvem o som de uma gaita e se voltam e vêem um outro homem tocando o instrumento. Este, com a cara de alheio, mas claramente em tom de zombaria, pergunta se não está faltando mais um cavalo, além dos três que ele avista. Um dos homens de forma sarcástica, diz que não falta nenhum, ao que ele responde que sobram dois. Neste momento, os quatros puxam suas armas e, então, ficamos sabendo que o recém chegado é o mocinho do filme, pois os outros morrem logo no início.
            Esta cena é uma das mais antológicas do gênero western e, ao contrário do que pensava, não foi filmada no Monumen Valley no Arizona e sim numa velha estação de trem de uma região desértica da Espanha, assim como a cena seguinte, que retrata um pai praticando caça com a ajuda de um filho pequeno, atirando em pássaros que voam. Ao término da caçada, pai e filho caminham e aí se avista uma grande e sólida casa construída em madeira de lei na frente da qual uma mocinha prepara comidas e arruma mesas cobertas com toalhas estampadas com estampas vermelhas. Então ficamos sabendo que aquela família prepara uma festa. É a festa para recepcionar a nova esposa do pai, um viúvo que sonha em prosperar com a construção de uma estação de trem, hotel, lojas e casas naquele lugar em que, obrigatoriamente, vai passar a ferrovia. Símbolo de modernização e tecnologia, além de representar muito dinheiro e desenvolvimento econômico, a construção das ferrovias americanas foi permeada por episódios de violência e disputa empresarial. A família é chacinada sem que se vejam os agressores. A primeira a morrer é a mocinha, depois o pai e na seqüência o garoto mais velho que estava encarregado de ir à estação esperar a  noiva do pai. O tiroteio cessa e os bandidos surgem no meio da poeira, trajando os longos casacos e se deparam com o filho menor da família, um menininho sardento que trás uma garrafa em uma das mãos, mas encostada ao braço direito. A câmera faz um close em seu rosto sardento e choroso e o chefe dos criminosos, com seus incríveis olhos azuis (Henri Fonda) decide matar o menino. Esta é uma cena forte e, inclusive quando este filme é exibido na televisão aberta, a mesma é suprimida.
            Daí em diante outras cenas e diálogos impressionantes acontecerão nos cento e sessenta e cinco minutos de duração da película, mas se você quiser assistir a um clássico do cinema não perderá seu tempo.
 
            Além de Henri Fonda, o filme trás Charles Bronson, no papel do mocinho, Cláudia Cardinale no esplendor de sua beleza e um impagável Jason Robards no papel de um vilão sentimental.
 
            O filme do italiano Sérgio Leone, que não sabia falar uma palavra em inglês, é merecedor de todas as honras. Filmado em 1968, retrata a chegada do progresso no oeste americano. A edição que tenho em mãos é especial, com dvd duplo contendo comentários e, inclusive, um maravilhoso confronto de paisagens e fotos atuais das locações, revelando todo o encanto grandioso da região de Monument Valley, que atravessa os estados de Utah e Arizona e serviu de locação a muitos filmes do gênero, principalmente sob a direção do lendário John Ford.
 
            Uma coisa é certa e está escrita em comentários na capa do dvd: desde o início que se suspeita que todos morrerão, exceto Jill McBain, a personagem interpretada por Cláudia Cardinale.
 
           
 
 
Augusto Sampaio Angelim
Enviado por Augusto Sampaio Angelim em 05/03/2012


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