Augusto N. Sampaio Angelim
Porque todo homem deve ter um lugar aonde ir (Dostoiévski)
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Máquinas de escrever
 
 
 
     Na minha infância, a máquina de escrever era mais do que um meio de reproduzir um texto.
Era dificuldade que minhas mãos ágeis de menino venciam com facilidade.
      Cada  máquina tinha sua própria música. 
     O som metálico das teclas era uma espécie de identidade secreta de cada uma delas.
      Em casa, tinha uma Remington pequena e colorida. Era moderna, mas sóbria, mesmo assim, lhe chamava de Princesa. 
     Havia, também, uma Olivetti que respondia mais rápida aos toques dos meus dedos. Dei-lhe o nome de Olivia.
     A velha e grande máquina do cartório de meu pai, emitida um seco, talvez ciente de suas responsabilidades notariais. Ficou sem nome, pois não era dada a intimidades.
     As duas últimas que tive, no início dos anos 90, eram eletrônicas. 
     Uma delas era uma Olivetti, tinha nome próprio: Práxis 20.  
     A outra, era importada e não lembro o nome, mas chamava a atenção das pessoas, pois era muito tecnológica.
     Ambas foram contemporâneas de uma velha Olivetti Línea 98 que labutava no Fórum de Garanhuns.
     As primeiras me serviram para fazer poemas infantis e escrever contos que, infelizmente, se extraviaram nas dobras do tempo. Com as últimas fiz denúncias, alegações finais, recursos e outras peças próprias de um Promotor de Justiça.
     Depois, vieram os computadores e aí as velhas máquinas foram abandonadas.E,então, o mundo mudou.
Augusto Sampaio Angelim
Enviado por Augusto Sampaio Angelim em 25/09/2012
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