Augusto N. Sampaio Angelim
Porque todo homem deve ter um lugar aonde ir (Dostoiévski)
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AS VITRINES
AS VITRINES


Há pouca luz nos corredores do shopping center enquanto ela caminha devagar, digitando alguma coisa no celular, até parar em frente de uma loja de sapatos. Abre a porta, acende algumas luzes e começa a rotina de cuidar de si mesma.  Em frente a um grande espelho começa a se maquiar com esmero, passando um pincel nos cílios e depois fazendo os contornos dos olhos. Com um lenço, passa uma espécie de pó de pirlimpimpim em todo roto, ajeita mais uma vez os olhos e, por último, passa o batom nos lábios. Suas mãos nos cabelos procuram um penteado ideal e deixam à mostra seu pescoço, como resultado de uma obra de arte.
Sai de frente do espelho e desaparece por uma discreta porta nos fundos da loja e volta em cima de um par de sapatos altos e vestida bem diferente do jeito casual que estava antes. É como se fosse outra mulher e, parece saber disto, pois, novamente fica a frente do espelho e faz novos ajustes no cabelo e no rosto.  Esboça um leve sorriso e depois fecha os olhos como se estivesse rezando.
Vai ao balcão e organiza todas as coisas que lá estão. Em seguida, inspeciona as vitrines.
Finalmente toca uma música anunciando a abertura do shopping e ela acende todas as luzes da loja.
O burburinho das pessoas e seus passos apressados quebram o encanto de antes. Agora, ela é apenas a gerente de uma loja de sapatos.





Augusto Sampaio Angelim
Enviado por Augusto Sampaio Angelim em 16/03/2013
Alterado em 31/03/2013
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